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Bancada da bola pressiona, e governo acena com medidas graduais no combate às bets
Bancada da bola pressiona, e governo acena com medidas graduais no combate às bets · Imagem: Source: extra.globo.com

Gilmar Ferreira - Futebol, coisa & tal...

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Gilmar Ferreira

Jornalista

MP deverá restringir publicidade de apostas esportivas e proibir 'apenas' jogos on-line no estilo 'Tigrinho'

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O espaço de Emerson Royal no vestiário do Flamengo no Maracanã — Foto: Adriano Fontes / Flamengo / divulgação

Apesar do tom forte empregado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no discurso de sexta-feira, prometendo ser duro na batalha contra o mercado de apostas, a bancada das bets, da qual fazem parte clubes, federações, executivos de casas de apostas e seus agentes, já respira aliviada. Depois de seguidas reuniões em Brasília nos últimos dias, a tendência é que a medida provisória a ser assinada na próxima quarta-feira proíba jogos dos cassinos on-line no estilo "Tigrinho" e “apenas” edite restrições de publicidade às apostas esportivas.

E o “apenas” entre aspas retrata o alívio dessa bancada diante da aparente disposição do governo de endurecer o jogo com as bets. No inicio da tarde de ontem, um ou outro intermediário no embate já celebrava a passagem do risco de proibição para um rigor maior na publicidade. Mas, por ora, nada que possa ser festejado. Em um primeiro plano, o governo será intolerante com o mercado dos jogos on-line e mais flexível com apostas esportivas. Nada que sinalize batalha vencida. Só mesmo uma trégua eleitoral.

Apesar do apoio de mais de 90% em comentários no manifesto dos clubes nas redes sociais deles, o governo parece ter acatado as alegações. Existem contratos de patrocínio em vigor, investimentos realizados com base em números alavancados por uma atividade regulamentada pelo governo, e os riscos de insegurança jurídica e o prejuízo econômico afetariam várias camadas do ecossistema esportivo — inclusive com o temido desemprego. Pesquisas recentes registram a geração de mais de 15 mil empregos diretos no setor.

Fora os indiretos. Hoje, dezoito dos 20 clubes da Série A giram metas e sonhos movidos pelo dinheiro injetado pelas bets, e também vêm delas as premiações pagas nas competições em disputa. O jogo regulamentado em 2018 escalou de tal forma que agora o necessário combate à ludopatia (vícios em jogos de azar) já não consegue ter a urgência devida. O cerco precisará ser gradual, com políticas educativas e restrições das cargas publicitárias. Esforço conjunto de diversos setores de uma sociedade que percebeu a gravidade do caso.

De qualquer forma, pelo tom das conversas ao longo da semana, já se percebe o estouro da bolha. Na próxima renovação, a bet que põe R$ 268 milhões no Flamengo e a que coloca de R$ 50 a R$ 100 milhões no Vasco não manterão o padrão. Mas nem um nem outro deixará de existir.

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