Resumo

Em visita ao arquipélago de Saint-Pierre-et-Miquelon, o presidente Emmanuel Macron reafirmou a soberania francesa sobre o território e enviou um recado velado a Donald Trump. Situada estrategicamente no Atlântico Norte, a região foi palco de um encontro inédito entre Macron e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. A reunião simboliza a aliança entre a França e o Canadá em torno do Estado de Direito, da ciência e do livre comércio, em claro contraponto à postura do líder norte-americano.

Emmanuel Macron encontra habitantes de Saint-Pierre, em arquipélago francês ultramarino localizado no Atlântico norte. (19/09/2026)

Foto: AFP - LUDOVIC MARIN / RFI

Valérie Gas, enviada especial da RFI a Saint-Pierre

"É evidente", "não há o que discutir": logo ao chegar a Saint-Pierre-et-Miquelon, território ultramarino francês no oceano Atlântico Norte, na noite deste sábado (19), o presidente Emmanuel Macron enfatizou que o território "é francês" e "ligado à França". A declaração foi uma resposta a um mapa publicado nas redes sociais por Donald Trump, no qual toda a América do Norte aparecia coberta pela bandeira estrelada dos Estados Unidos, incluindo o arquipélago.

Assim que chegou a Saint-Pierre-et-Miquelon, Macron quis reafirmar com firmeza o vínculo dos habitantes desse pequeno território norte-americano com a França, situado a 4,3 mil quilômetros de Paris. "Não vamos ficar afirmando isso todas as manhãs só porque algumas pessoas têm ideias estranhas ou dizem coisas estranhas", acrescentou o chefe de Estado, que realiza uma visita de dois dias com forte conotação geopolítica.

A última visita de um presidente francês ao arquipélago havia ocorrido em 2014, com François Hollande.

Arquipélago estratégico no Atlântico Norte

Neste domingo (20), Macron recebe o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, em Saint-Pierre, situada a poucos quilômetros da costa canadense e a alguns dias de navegação da Groenlândia - uma nova área de interesse estratégico no Ártico. Trata-se da primeira visita oficial de um primeiro-ministro canadense ao arquipélago francês, ocorrendo em um momento de aproximação entre o Canadá e a União Europeia.

Logo na chegada, Macron celebrou a situação: "A França está presente graças a Saint-Pierre-et-Miquelon, aqui, no coração das questões globais desta região. E isso também nos conecta ao Canadá. (…) Assim, será uma forma de falarmos sobre o futuro juntos."

Ao aparecerem juntos, Emmanuel Macron e Mark Carney têm um objetivo: "transmitir uma mensagem forte de amizade, de vontade de seguir em frente e de convicção de que os nossos países - que, no fundo, acreditam na democracia e no Estado de Direito, no respeito ao direito internacional, no comércio livre e justo e na ciência como base para as nossas decisões - são países que querem avançar e realizar coisas juntos, com respeito", acrescentou o presidente francês.

Embora Emmanuel Macron negue tal intenção, essas palavras ecoam na postura do presidente do grande vizinho americano, Donald Trump - a quem a foto de Macron e Carney certamente não agradará.


