São Paulo, Brasil“Passei por situações surreais na minha carreira. Derrubar os gigantes brasileiros e ser campeão da Copa do Brasil com o Paulista, de Jundiaí é histórico. “Ter sido treinado pelo Lothar Matthaus, ver o Souza me proteger para não apanhar de torcedores do Flamengo, jogar ao lado do Ronaldo Fenômeno e ser campeão com ele, pelo Corinthians.”Escapar de ser preso por mostrar os dedos médios para os são paulinos, no Pacaembu.“Ver o Ronaldo imitar o meu gesto, com os dedos médios esticados, contra o Santos. Só para livrar a minha barra. Quem levaria para a cadeia o Fenômeno? “Fiz tudo isso e ainda virei ídolo na Turquia.”Tudo muito intenso para um garoto que saiu da periferia de Belo Horizonte.’Quando era adolescente fui recusado pelo Cruzeiro, pelo América. Sabia que tinha condições, mas os testes muitas vezes nos clubes são inexplicáveis. “Fui para a Coréia do Sul tentar jogar. Acabei tendo de limpar as ruas. E passei fome. No Paulista, em Jundiaí, morava debaixo das arquibancadas. Com ajuda de custo de R$ 300,00.Comida contada. Longe da família. Jogava e trabalhava de gandula, para receber R$ 30,00 por jogo, para comer um lanche que o clube não dava. Nunca reclamei ou pensei em desistir.”O grande salto foi a conquista inesperada da Copa do Brasil pelo Paulista de Jundiaí. “O Mancini começou seu trabalho como treinador. Montou uma equipe que misturava os veteranos e nós, garotos. Nem a gente acreditava que iria longe no torneio. Eliminamos o Juventude, depois veio a zebra, tiramos o Botafogo. A zebra galopou, quando foi a fez de o Internacional cair. Aí, passamos a acreditar na gente. Chegamos com personalidade e ganhamos do Figueirense. “Aí chegou o Cruzeiro, clube que havia me dispensado, na semifinal da Copa do Brasil. Nós ganhamos por 3 a 1 em Jundiaí. E eles se preparam para nos golear, em Belo Horizonte. Abriram 3 a 0 no primeiro tempo e eu pensei: isso não pode acontecer. No segundo tempo, falta para nós. Cobro e faço 3 a 1. Depois, o segundo gol. 3 a 2. “Estamos na final. Contra o Fluminense. Estávamos encantados. Vencemos por 2 a 0, em Jundiaí. E empatamos em 0 a 0, no Rio. Campeões. Nunca mais o Paulista vai conseguir essa façanha, infelizmente.”Cristian foi para o Athletico Paranaense. “Não rendi. Muito frio, sei lá. Não me adaptei.’ Nei Franco, técnico que o havia dispensado do Cruzeiro, pediu sua contratação para o rubro-negro do Rio. “O Flamengo vivia em crise. Desorganizado. Foi um período bem caótico.’ Aí chega o convite de Mano Menezes para jogar no Corinthians. “Cheguei na minha casa. Foi incrível a identificação. Eu sempre fui corintiano de arquibancada. Sou maloqueiro, sofredor, graças a Deus. Dei a raça de um torcedor apaixonado em campo. E para culminar, chega o Fenômeno. Jogar com Ronaldo foi o maior prazer como jogador. Ele era meu ídolo. Pedi para ele assinar as minhas chuteiras, guardo até hoje.”Ele chega no Corinthians desacreditado, com aquela história de ‘gordo’. Mas ele era fo... Ninguém o pegava nos piques curtos. Era um gênio com a bola nos pés. Um dos melhores de todos os tempos. Os dribles curtos, as arrancadas, o raciocínio à frente de todos. E muito companheiro, amigo de todos.”Lógico que corremos com gosto por ele, para fazer dele campeão de novo. Foi incrível vencer o São Paulo na semifinal do Paulista, tricampeão brasileiro. E nós, o Corinthians da Segunda Divisão. Calamos a boca de todo mundo. E na final, Ronaldo foi espetacular contra o Santos.“Cristian deu sua contribuição especial nas finais do Paulista de 2009. “Neymar estava surgindo, talentoso, mas folgado. Que eu fiz? Tive de bater. Ele sempre foi fora da curva. E ganhamos o título, com a genialidade do Ronaldo, com aquele gol histórico encobrindo o Fábio Costa.”Cristian formou uma dupla perfeita com Elias. Ganharam também a Copa do Brasil, em 2009. “Aí fui vendido, sem saber, para a Turquia. Queria ter ficado mais. Para buscar outros títulos e brigar por um lugar na Seleção. Mas tive de ir. Só que acabei sendo muito feliz no Fenerbhaçe. “Joguei com Alex, que é outro gênio. Foi maravilhoso. Ganhamos cinco títulos. Lá ele é um deus. Eu fui muito feliz por lá. Foram cinco anos. Eles queriam mais um, só que meu filho quis voltar para o Brasil. E voltei ao Corinthians.” Foi campeão brasileiro em 2015. Só que entrou em conflito com o ex-jogador Alessandro, que era o executivo de futebol. ‘Fiquei muito chateado. E acabei saindo do clube que amava." Cristian foi para o Grêmio. E lá descobriu vários problemas em relação a como seu dinheiro estava sendo tratado, ao longo dos anos. E tratou de lutar pelo que perdeu. Foi traído por seu empresário.A partir daí, sua carreira caminhou para o final.Muito competitivo, ainda gosta de jogar futebol na várzea. Seu filho Cristian, também volante, joga na base do Corinthians. E já treina com os profissionais.Cristian começou uma carreira como comentarista esportivo. “Estou gostando. Estudo muito. E procuro fazer do meu jeito. Ser o mais ético possível. Estou lá para analisar o desempenho dos jogadores. Respeito o ser humano. Trato as pessoas com respeito, como gosto de ser tratado.”A entrevista com Cristian, na íntegra, está no Canal Cosme Rímoli, no youtube, uma parceria com o R7.O canal já ultrapassou 20 milhões e trezentas mil visualizações.São mais de 230 personagens do esporte brasileiro, principalmente futebol.As entrevistas mais relevantes passam aos sábados, na Record News, às 10 horas. Neste final de semana, a exclusiva será com Giovanni, um dos maiores ídolos do Santos...















