Ministros Nunes Marque diz nunca ter recebido favores de Vorcaro e que nunca trocou mensagens com ex-banqueiro

22 set 2026 - 09h30

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- Por: Redação Terra

Nunes Marques toma parte para falar no STF

Foto: Rosinei Coutinho & Alejandro Zambrana | STF

A Polícia Federal encontrou arquivos e mensagens no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que demonstram que ele contratou um escritório de advocacia da esposa de um desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), para atuar em uma série de precatórios de interesse da instituição financeira. Segundo o jornal O Globo, a remuneração chegaria a cerca de R$ 427 milhões, caso tivesse êxito em todas as ações.

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A minuta de prestação de contas teria sido firmada com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, de Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos. Nas conversas, o magistrado é identificado como da "Turma KN", iniciais do ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques, nas quais negocia uma série de favores, como acomodações em hotéis de luxo, ingressos para Fórmula 1 e até camarote vip na Marquês de Sapucaí, no Rio.

Ao jornal, Nunes Marques negou ter recebido favores de Vorcaro e afirmou que nunca trocou mensagens com o ex-banqueiro. Já Ramos declarou que tinha relações pessoais com o ex-Master antes da investigação e que os pedidos feitos à ele não tinham relação com suas funções públicas.

‘Favores’

Em 23 de maio de 2024, Newton procura Vorcaro e solicita entradas para um evento no hotel de luxo no Rosewood, em São Paulo. "To aqui em SP. Não consegue acesso para mim para esse show hoje no Rosewood". O ex-banqueiro diz que vai ver e cerca de três horas depois, é cobrado pelo desembargador. "Alguma notícia? Complicado pelo horário, não? A mulher que fica perguntando aqui kkk". Em seguida, é respondido: "Kkkk to tentando. Eu não comprei nada desse evento". Então, Newton diz o motivo do pedido: "Ciro me disse que você mandava lá kkkk".

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Em 24 de outubro do mesmo ano, o magistrado volta a pedir um favor para Vorcaro. “Era só para pedir para ver a questão da Fórmula 1 para mim". Vorcaro, então, passa o contato de Ana Matos, uma funcionária da área de marketing do banco. “Pede para aquela mesma turma. Sobre o kit, fala com a Ana. Veja quantos precisa e avisa ela", responde o ex-banqueiro. O evento seria o Grande Prêmio de F1 realizado no autódromo de Interlagos, em São Paulo, em 3 de novembro.

Já em maio de 2025, Ana é quem entra em contato com o Vorcaro e diz ter recebido um pedido de Newton para uma “tarifa promocional" pela hospedagem do ministro Nunes Marques no hotel Fasano, de São Paulo.

"Oi Ana, tudo bem? Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional para o Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo sábado", diz a mensagem encaminhada por ela. A funcionária explica que o pedido foi feito pelo desembargador e pergunta se pode autorizar. "Pode pegar e colocar minha conta”, responde o ex-banqueiro.

A PF também encontrou outras mensagens, com pedido de outros favores relacionados a Newton e à "turma do KN". Em fevereiro de 2025, um homem identificado como Leo Serrano, apontado como operador logístico do ex-Master, entra em contato com o chefe e pergunta se pode colocar nomes na lista de um camarote da Sapucaí.

"Dani, turma do KN/Newton me mandou aqui 6 nomes para colocar na lista do Camarote. Posso encaminhar isso lá pra lista do Camarote, né?". Em seguida, Serrano envia um passo a passo de cadastro para que os convidados possam ter acesso ao local.

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Contrato milionário

No celular de Vorcaro foi encontrado também o contrato firmado pelo Master com o escritório da esposa de Newton. Segundo a minuta, ficou estabelecido honorários fixos em 5% de todo o benefício econômico bruto obtido pelo banco em ações relacionadas a precatórios do setor sucroalcooleiro.
Uma planilha, também encontrada no aparelho, atribui aos créditos relacionados no contrato um valor de aproximadamente R$ 8,5 bilhões. Portanto, com o percentual previsto no acordo, o escritório poderia receber até R$ 427 milhões.
Camilla Ramos, esposa de Newton, era quem acompanhava o julgamento no STF relacionado à controvérsia jurídica envolvendo esses créditos. Mensagens de junho de 2025 para o ex-banqueiro, demonstram que a esposa do desembargador “comemorou” a manifestação de Nunes Marques em um caso que poderia impactar nos processos de interesse do banco. “Excelente voto”, afirmou à Vorcaro.
O Banco Master não era parte no julgamento citado. O processo discutia uma tese jurídica com potencial de repercutir em outros processos envolvendo indenizações do setor sucroalcooleiro.
O que dizem Nunes Marques e Newton
Ao jornal O Globo, além de negar qualquer envolvimento com Vorcaro, o ministro declarou que “nunca autorizou ninguém a falar em nome dele". Nunes Marques também alegou que nos julgamentos envolvendo a prisão do ex-banqueiro, votou de forma desfavorável, mantendo a sua prisão.
O desembargador Newton afirmou que os pedidos feitos à ele não tinham relação com suas funções públicas. "Tratou-se de situação privada articulada com a profissional que presta serviços para o referido banco, sem qualquer vínculo com funções públicas. Por fim, nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master", declarou.
Já o escritório de Camilla Ramos alegou que a atuação em defesa do Master ocorreu "regularmente, dentro dos limites legais e mediante a devida habilitação nos respectivos processos".
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Fonte: Portal Terra
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