João Francisco Affaitati ou Giovan Francesco Affaitati ou enfim João Francisco Lafetá (Lafetat) (Cremona ? - Lisboa, 27 de abril de 1529), foi um comerciante italiano radicado em Lisboa, que participou ativamente no financiamento das armadas da Índia, na compra de bens para a troca com especiarias como no escoamento dos bens em proveniência da Ásia. Fiz parte com os Marchionni, os Sernigi e, poucos anos mais tarde, os Giraldi, do grupo de ricas famílias de origem italiana que contribuíram para o financiamento e desenvolvimento do recém-nascido comércio com o Oriente português, lucrando muito com isso.

Biografia João Francisco Affaitati, terá chegado em Lisboa por volta de 1494, e dedicou-se primeiro ao mercado do açúcar madeirense, em consórcios com outros mercadores italianos, procedia à distribuição do produto nas praças europeias. De facto, mesmo em antes da liberalização total do comercio do açúcar em 1508, o rei tinha permitido a entrada de alguns estrangeiros e, entre eles, os florentinos e genoveses que dominaram o mercado. Com a descoberta do caminho marítimo para a Índia, Affaitati foi o primeiro comerciante estrangeiro a tentar entrar no comércio da carreira da Índia, apesar de não ser possível devido ao monopólio régio, no entanto foi o primeiro a concluir contratos muito proveitosos com o rei português, aproveitando um circuito de agentes comerciais na Península Ibérica, no Norte Europa e na Itália, que lhe garantiam o monopólio muito lucrativo da revenda das especiarias. Numa carta de 1525, Marino Sanuto informa que Affaitati, juntamente com alguns alemães, tinha nas suas mãos a maior parte do mercado das especiaria. Desiludido com a chegada da frota de João da Nova, meia vazia por falta de liquidez, financiou a armada de Vasco da Gama de 1502 em sociedade com Bartolomeu Marchionni (com um lucro de 5.000 ducados por 2.000 investidos) e a de 1506 de Tristão da Cunha. Por isso a relação com o rei D. Manuel era muito estreita e frequentemente dirigia-se ao italiano para obter dinheiro líquido ou para importar bens para trocar na Índia. Como o cobre de Antuérpia que Affaitati forneceu ao rei em 1516 com um contrato de 5 anos para o fornecimento de 12.000 quintais anuais. De fato o alto volume dos seus negócios transformou gradualmente o rico comerciante em banqueiro, a ponto de já existirem registos de empréstimos à Coroa Portuguesa entre 1508-10, 1511-14 e a sua filha Beatriz de Portugal, Duquesa de Saboia, em 1521. Infelizmente a imagem de Marchioni, que era um grande negociante de escravos, Affaitati também lucrou muito com esse negocio. Parte dos lucros foram investidos em terras e além da sua casa em Lisboa no bairro da Sé, perto da zona comercial da capital da Rua Nova dos Mercadores, João Francisco era proprietário de terras em Sintra, Óbidos e da Quinta dos Loridos no carvalhal (Bombarral).

As cartas de João Francisco Affaitati João Francisco era irmão de Ludovico Affaitati a quem o imperador Carlos V fez mercê do título de conde (de Romanengo, de Ronco, de Albera, de Casaletto, de Salvirola ...) com o qual mantinha uma correspondência muita detalhada dos acontecimentos em Lisboa. Também mantinha uma abundante correspondência com o embaixador veneziano em Madrid, Pietro Pasqualigo, relatando as principais notícias que interessava Veneza quase em tempo real. Bem que muito ligado a causa portuguesa ele tornou-se com as suas cartas uma importante fonte de informação da República de Veneza. Algumas reunidas no diário de Marino Sanuto, são uma fonte única sobre as carreiras da Índia dando muitas informações ignoradas pelos cronistas portugueses. Como por exemplo o incêndio do "Anunciada" navio-almirante da sexta armada de Lopo Soares de Albergaria descrito ao pormenor.

Descendência Ele nunca se cazou mas teve 5 filhos com duas mulheres, de Guiomar Freire o Agostinho depois de Maria Gonçalves de Carvalhães (ou Carvalhoza), Cosmo, Madalena, Lucrécia e Ignês.>

Referências